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A política de desgoverno e a violência obstétrica

Somos bombardeados todos os dias com notícias envolvendo medidas inescrupulosas para acabar com os direitos da população brasileira. Os cortes na saúde, os ataques contra o direito a aposentadoria digna, contra a educação pública superior e básica, contra a ciência, são reflexos da falta de preparo e de responsabilidade de quem governa o Brasil. Nesta semana o Ministério da Saúde, que também quis participar das manchetes de horror colecionadas nos últimos 4 meses pelo governo federal, resolveu atacar as mulheres brasileiras com sua declaração de que o termo “Violência Obstétrica” não agrega valor e deverá ser descontinuado. Como o tema foi título da minha postagem anterior aqui no blog, me senti na obrigação de falar a respeito. O momento do parto deve ser protagonizado pela mulher, mas não é a regra. A regra são profissionais da saúde despreparados, a regra é a utilização de frases como “Na hora de fazer não reclamou” ou “Deixa de ser mole, escandalosa” ou “Seu bebê ...

Violência Obstétrica

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                                              Escolhi o tópico “Violência Obstétrica” para abrir as discussões no blog por vários motivos. Mas principalmente porque foi através de vários atos violentos que eu nasci mãe. Gosto de pensar que o nascimento do bebê não pode ser colocado, exclusivamente, como ponto alto do evento. Não podemos esquecer do nascimento da mulher como mãe. Quando uma mulher decide ou aceita a maternidade (e essas escolhas devem ser baseadas no desejo genuíno de gerar e criar uma criança e não por pressões sociais de desigualdade de gênero) ela, desde o primeiro momento, passa por várias transformações. Tem aquelas mais visíveis ligadas ao corpo, mas também existem algumas transformações internas, emocionais. Quando eu soube que seria mãe do Lucas eu vivi uma montanha russa de sentimentos, tive medo de muitas coisas, mas apesar de ouvir m...

O Despertar

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A cada dia da minha vida eu desperto de uma forma diferente. Hoje, por exemplo, acordei com uma tremenda dor de cabeça e com algumas questões em mente que me trouxeram a escrever esse blog. Em se tratando de sono, a cada dia despertamos de uma maneira única. Mas ouso dizer que a vida é assim em outros aspectos também.  Quando leio livros sobre realidades diferentes da minha, eu desperto para temas que me eram estranhos até então. Quando escuto musicas carregadas de crítica social, eu desperto para essas críticas. Quanto mais eu estudo, mais desperto para as questões acadêmicas. Quando eu engravidei do meu primeiro filho eu comecei a despertar para os feminismos.  Eu sempre achei que seria mãe de meninas, mas estava esperando um menino. Saber que eu seria responsável junto com meu marido na formação social, cultural e moral de um menino, em um primeiro momento me deixou muito preocupada. E foi neste contexto que me encontrei com o livro "Para educar crianças f...